
domingo, 25 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Ela...
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"Walk to the Sunset by Rhiannon Mytherea Taylor" |
Ela
começa entre os pilares de sustento do mundo, e trilha o caminho do vento por
lugares onde manadas de búfalos e ratos passaram. À noite ela é estrela esguia
levando os navegantes da terra pelos sete vales, ao dia é caminho do sol de
leste a oeste, onde o potro nasce e o cavalo morre. Atravessa rochas, circunda
montanhas, salta rios e escava a terra, nem céu e nem mar barram seu caminho
que transcende o físico e transpassa o etéreo mundo dos sonhos. Legiões por ela
marcharam, em barreiras e batalhas lutaram para com o sangue lavá-la. Ela leva
o homem a céu e ao inferno, e a mundos há muito esquecidos, perdidos ou
renegados. Flui como Nilo no deserto, ou como o Amazonas na floresta, quando
tortuosa e delgada é perigosa, e quando larga é tranquila por entre chapadões
recobertos de árvores que se curvam a sua margem. Transpõe mil lugares numa só
linha contínua que nem a tesoura do tempo e do espaço pode romper. Foi traçada
no início dos tempos pelo mesmo dedo que ligou o interruptor do sol e com um
peteleco fez o mundo girar. Por ela passeiam o corpo, a alma e a mente de mãos
dadas com passos velozes em perfeito compasso, transcendendo a vida, a morte e
a ressurreição, levando às novas cidades ou às prisões abissais. Alguns podem
viajá-la com um passo, outros necessitam de todo o tempo do mundo. Poderosa e disputada,
alguns querem dominá-la, e quando pensam que a tem em mãos, percebem que é
apenas um trecho tão curto quanto são as linhas dessas mesmas mãos. Todos nela
já andaram, andam e andarão. Mesmo pelos ares ou pelos mares, é caminho de
todos os homens, animais, demônios e deuses. Leva ao infinito, circunda as
galáxias por baixo das pernas do colosso e finda entre os martelos que rompem
os pilares do mundo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Penas do Tempo
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"Romantic Agony by Nadia Asserzon" |
Penas e Pedras
Ando sobre penas e pedras. Por todos os senhores
do vale dos meus sonhos esquecidos, juro que sou justo para com meus
sentimentos. Sou livre, pois sangrei nas pedras e limpei-me nas penas. Ao
sangue de meus pais, paguei o tributo que devia. Minha resposta as perguntas
que me ferem é meu eterno semblante feliz. Pertenço aos meus instintos com
orgulho, já que eles sempre me levam para o melhor da vida. Dia após dia,
procuro o portal que sempre me leva para o mundo que somente eu posso entrar e
lá sou tudo, menos eu mesmo. E pelas penas e pedras escrevo para o garoto que
mora no fundo do abismo, dorme no leito do lago e enamora a Lua. Nessa
constante batalha para ser reconhecido como um alto membro dos guerreiros dos
campos perdidos da Grécia, sustento meu Símbolo na torre e desejo o Sol, Não a
Lua. Prometo a todos que sempre seguirei o Caminho do Andarilho de Penas e
Pedras.
Teias do Tempo
Primeiro dia de vida, primeiro momento de morte.
Azar a quem tem sorte, desejo divino do dia e da noite dos navegantes dos
sonhos fluentes ao vento. Flautas sopram notas melodiosas, sinos ecoam pelo
abismo de paredes ressonantes. Gritos repetidos e esquecidos nas teias do
Tempo. Ao clamarmos: Vida! Invocamos a Morte pelo ciclo da renovação. Um mundo
refletido pela Íris iluminada por uma trêmula chama de uma fina vela sobre um fio
de seda que uni os dois lados do abismo: a vida e a morte. Que lágrimas umedeçam
as faces, que os gritos arranhem as gargantas, que os punhos cerrados sangrem
as palmas, que os joelhos dobrem e que a barragem da alma rache e inunde o
abismo até apagar a chama. E ao fantástico mundo traremos fim, quando os olhos
infantes cegarem ao passar dos anos. Assim as teias do tempo se tornaram tão
concretas quanto as rugas e tão inevitáveis quanto a morte. E digamos: Viva!

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