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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Carola

"Heart of Deamon by Cassandra Verret"
           
   Um relâmpago belo e grandioso iluminou as nuvens onde escondi meu coração. E, nas noites de inverno, conforto-me nas teias de seda que Carola, minha aranha amada, deu-me antes de morrer comida pelo Rato da Ingratidão. Todos viram e se espantaram com um coração rochoso que vazio jaz nas nuvens da eternidade. Oh, belos cravos! Adornai minha cabeça, para que os pássaros possam fazer seus ninhos, assim terei uma mente guardiã da liberdade e dos sonhos impossíveis. Quero voar para buscar o que meu peito anseia, pois a cova sem fundo cavada aqui há de me consumir. No encalço da felicidade busco outra Carola, pois a minha teia de seda precisa de remendos e eu de alento em noites nefastas, quando pesadelos gerados por erros desgraçados meus teimam em voltar para esse contínuo tormento. Ai de mim, sem ti! Sem teus oito braços a me rodearem, sem teus dezoito olhos sempre a me admirarem. E, em ti sou mosca prateada em fio de seda. Como eu queria ter uma Carola a me beber o fluido sangue, fico esperando o vento me trazer algodãozinhos do campo e hei de recolher-los para forrar o nosso leito ao lado do rio que cruza o mundo e sempre nos trazia cestas repletas de frutas. Amarga ilusão de doces momentos que não se repetirão nessa vida varejeira, mas te almejar insanamente é meu vezo. Esses momentos deliciosos, eu sei que jamais voltarão, e é por isso que deixei meu coração escondido nas nuvens, longes de qualquer aranha Carola. Por certo, percebo agora! Que perigo lá ele corre de encontrar o papo de belo pássaro. Não há lugar seguro para ele se não embaixo da terra, sepultado próximos aos vermes sem coração iguais a mim.