domingo, 12 de fevereiro de 2012
domingo, 25 de dezembro de 2011
Damas da Tormenta
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Ela...
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| "Walk to the Sunset by Rhiannon Mytherea Taylor" |
Ela
começa entre os pilares de sustento do mundo, e trilha o caminho do vento por
lugares onde manadas de búfalos e ratos passaram. À noite ela é estrela esguia
levando os navegantes da terra pelos sete vales, ao dia é caminho do sol de
leste a oeste, onde o potro nasce e o cavalo morre. Atravessa rochas, circunda
montanhas, salta rios e escava a terra, nem céu e nem mar barram seu caminho
que transcende o físico e transpassa o etéreo mundo dos sonhos. Legiões por ela
marcharam, em barreiras e batalhas lutaram para com o sangue lavá-la. Ela leva
o homem a céu e ao inferno, e a mundos há muito esquecidos, perdidos ou
renegados. Flui como Nilo no deserto, ou como o Amazonas na floresta, quando
tortuosa e delgada é perigosa, e quando larga é tranquila por entre chapadões
recobertos de árvores que se curvam a sua margem. Transpõe mil lugares numa só
linha contínua que nem a tesoura do tempo e do espaço pode romper. Foi traçada
no início dos tempos pelo mesmo dedo que ligou o interruptor do sol e com um
peteleco fez o mundo girar. Por ela passeiam o corpo, a alma e a mente de mãos
dadas com passos velozes em perfeito compasso, transcendendo a vida, a morte e
a ressurreição, levando às novas cidades ou às prisões abissais. Alguns podem
viajá-la com um passo, outros necessitam de todo o tempo do mundo. Poderosa e disputada,
alguns querem dominá-la, e quando pensam que a tem em mãos, percebem que é
apenas um trecho tão curto quanto são as linhas dessas mesmas mãos. Todos nela
já andaram, andam e andarão. Mesmo pelos ares ou pelos mares, é caminho de
todos os homens, animais, demônios e deuses. Leva ao infinito, circunda as
galáxias por baixo das pernas do colosso e finda entre os martelos que rompem
os pilares do mundo.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Penas do Tempo
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| "Romantic Agony by Nadia Asserzon" |
Penas e Pedras
Ando sobre penas e pedras. Por todos os senhores
do vale dos meus sonhos esquecidos, juro que sou justo para com meus
sentimentos. Sou livre, pois sangrei nas pedras e limpei-me nas penas. Ao
sangue de meus pais, paguei o tributo que devia. Minha resposta as perguntas
que me ferem é meu eterno semblante feliz. Pertenço aos meus instintos com
orgulho, já que eles sempre me levam para o melhor da vida. Dia após dia,
procuro o portal que sempre me leva para o mundo que somente eu posso entrar e
lá sou tudo, menos eu mesmo. E pelas penas e pedras escrevo para o garoto que
mora no fundo do abismo, dorme no leito do lago e enamora a Lua. Nessa
constante batalha para ser reconhecido como um alto membro dos guerreiros dos
campos perdidos da Grécia, sustento meu Símbolo na torre e desejo o Sol, Não a
Lua. Prometo a todos que sempre seguirei o Caminho do Andarilho de Penas e
Pedras.
Teias do Tempo
Primeiro dia de vida, primeiro momento de morte.
Azar a quem tem sorte, desejo divino do dia e da noite dos navegantes dos
sonhos fluentes ao vento. Flautas sopram notas melodiosas, sinos ecoam pelo
abismo de paredes ressonantes. Gritos repetidos e esquecidos nas teias do
Tempo. Ao clamarmos: Vida! Invocamos a Morte pelo ciclo da renovação. Um mundo
refletido pela Íris iluminada por uma trêmula chama de uma fina vela sobre um fio
de seda que uni os dois lados do abismo: a vida e a morte. Que lágrimas umedeçam
as faces, que os gritos arranhem as gargantas, que os punhos cerrados sangrem
as palmas, que os joelhos dobrem e que a barragem da alma rache e inunde o
abismo até apagar a chama. E ao fantástico mundo traremos fim, quando os olhos
infantes cegarem ao passar dos anos. Assim as teias do tempo se tornaram tão
concretas quanto as rugas e tão inevitáveis quanto a morte. E digamos: Viva!
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Observando-a Bailar
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"The dancer by Magdalena Zagórna" |
Nem cem amigos podem preencher o vazio de um
peito que disse adeus a um amor. A face seca e sedenta sofre se perguntando o
que está acontecendo em seus olhos, buracos negros que nem mesmo a luz deixa
escapar, contudo não o amor, força escrava só de si. E a língua de mármore, que
espanca os ouvidos ao sibilar trevas, queima com o sangue ácido escorrido
daquele coração embrenhado pelos vermes nascidos do vácuo emocional que compõe
o cerne da alma afogada em desamor. No topo da colina, observando-a bailar no
vale, esculpindo-se num manto que no corpo dela seja de caimento perfeito... Se
não fosse a névoa do alto da colina, que todas as formas do vale distorcem, há
muito tempo sobre ela estaria dançando. O rosto dela rasga o seu e é por receio
da dor que prefere encarar a terra, e quando ele se esquece de tal maldita
condição e a face ergue em busca da dela, é invadido por alegria e tristeza, e
o coração pranteia em êxtase e agonia. Ressentido vocifera contra aquela
maldita arte pela qual sua flor foi encantada e dele para longe levada, ao
mesmo tempo deseja dela aprender para assim seduzir também sua flor como
antes por vezes ela fora. Os portões foram abertos e, quem quiser entrar, que
entre sem pedir licença e satisfação dar, e que venham no intuito de ferir,
arrasar e abandonar, pois só uma dor maior pode anestesiar as queimaduras
deixadas pelo iceberg solitário que brotou de seu peito. Apesar de tudo, o que
faz o sangue ainda correr em suas veias e não delas é a esperança ao saber que
nada é eterno, e a mão que agora a conduz um dia há de solta-la e desta vez
será a dele que ela segurará, ao menos é isso que ele espera, é o que ele sonha
todas as noites, é o porquê dele se erguer todas as manhãs, é o porquê dele se
alimentar e nutrir seu corpo, é pelo que ele ora e atormenta os anjos, é pelo
que ele ainda vive e se esconde da morte.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Último Baile da Noite
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| "Anamnesis of estivation by Vitaly Alexius Samarin" |
Nós iremos preservar cada lágrima que escorrer de tuas veias e, não mais sedento de teu néctar, o mundo festejará. No último baile da noite, na última noite antes do amanhecer eterno, a todos será permitido entregar-se a impiedade sem dor, nem culpa. Já que a iminência do fim está a se revelar num doce afago de uma fêmea acalentando sua cria. E não é a vida uma cria da morte, como a criatura que objetiva a criação, a vida revela seu sentido ao se suprimir. O fim é a única fonte inesgotável de mel, e dele o princípio brota vigoroso como uma videira em terra fértil. Mas ainda estamos em pé, e festejamos o finalmente. Aqueles que seguram a minha mão, aqueles que eu seguro a mão e aqueles que estão além, todos nós derramamos o vinho de nossas eras para que então vazias nossas ânforas sejas transbordadas de seiva. Durante o precipitar dos últimos grãos de areia, enterramo-nos e todo vinagre de nossa alma está a sorver-se para a profundeza do esquecimento. Para que enfim de nossos peitos a eternidade possa germinar, e seu fruto será uma nova nação tão perfeita quanto é a luz da verdade. Mas o ocaso ainda não engoliu a fome primitiva, e o banquete ainda exala seu êxtase. Sobre a mesa debruçamo-nos e nossas bocas ocupadas nada falam, e na cama deitamo-nos e nossos corpos ocupados não dormem. Você pode ouvir nosso sussurro silencioso, pode sentir as súplicas e os clamores por aquilo que incendeiam nossos espíritos e deixa nossos olhos em brasa, por aquilo que colapsa toda a existência em suas mãos e com um sopro reconstitui tudo em plena perfeição. Os últimos acordes já são ouvidos, as luzes já se apagam e o salão se esvazia. Lá fora no horizonte o amanhecer de mil sois expurgando a terra da noite em derradeiro e para o todo sempre, e as cinzas do que éramos são olvidadas quando os ventos da renovação varrem-nas para o nada. E por fim podemos nos erguer pela última vez e com inocência contemplar o infinito.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Algum Outro Eu
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| "You Soiled My Woods" by Diane Allemandou |
Um profundo toque despertou algum outro eu. Suas asas definhadas se abriram para eclipsar o sol, mas nada além da sombra de um arbusto surgiu sobre a terra. Em seus olhos ludibriados a devassidão de um desejo por possuir todo o mel do mundo, e mesmo assim seus lábios virgens tremem com a brisa do hálito que anuncia o paraíso. Perdido numa noite sem fim ao seguir rumo ao horizonte da carne, sua língua incendeia ao tocar o solo molhado depois de uma chuva de verão. Triture as rochas que brotam em suas costas, nada de bom há de nascer de tanta inquietação! Fechar os olhos é inútil, não fará o mundo desaparecer, e muito menos te despertará para uma realidade de fascínios. Se uma flor brota no jardim, ela será nada além de uma dentre muitas, se uma flor brota no ermo, ela será exaltada como uma raridade. Mas uma flor é apenas uma flor, o que brilha aos olhos é o mundo improvável agarrado por suas raízes. Então abrace esse corpo que te evoca, faça-o tua morada, uma busca à tua fonte da vida, uma jornada para o céu, um cobertor de perdição! A mão nebulosa apanhou-me pelo tornozelo e me aspirou para as profundezas de algum outro eu. Suas asas ressurgidas se alastraram pela abóboda celestial abafando o flamejante áureo, e nada além de sombras surgiram sobre a terra. Da sagacidade de sua alma verte a pura cobiça de afogar o mundo em sua peçonha, além de seus lábios libidinosos sorverem toda a brisa de Plutão. Arrastando a perdição da carne em meio aos destroços do dia sua língua carboniza a terra maculada depois do festim untuoso. Deite sobre o mármore excretado de suas vísceras, aguarde pelo sabor do fruto de toda brandura assassinada! Tuas órbitas vazadas drenam o mundo e lacrimejam o vazio, e erguerá do nada teu reino de vícios e encantos. A flor que morre no jardim será nada além de adubo para as outras, mas se uma flor morre no ermo, todo o esforço do mundo se perde em vão nas areias do tempo. Mas uma flor é apenas uma flor, o que brilha aos olhos é a satisfação que ela traz ao mundo depois de podada. Então se livre do corpo que te sufoca, uma fuga mundo a fora, a estreia do ocaso da vida, um atalho para o paraíso, o relento da redenção!
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